quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Prece pelas crianças desaparecidas

Querida Mãe Aparecida,

eu vou fechar meus olhos para ver melhor a Senhora
e juntar as mãos para dar maior carinho a minha prece de hoje.

Eu já sabia que a Senhora tem o mesmo nome da minha mãe.
Que bom! Assim eu terei sempre a minha mãe Aparecida, onde eu estiver. É tão bom ter a Mãe Aparecida!

Sabe, mãe...eu sempre ganho presente no dia da criança.  Mamãe aparece no meu quarto, me dá um beijo e faz aparecer um presente. Mas, hoje eu queria um presente para as crianças desaparecidas que eu vi no cartaz.

Aparece para elas, Mãezinha e diz que todo mundo quer que elas apareçam.

Parece que as pessoas vão esquecendo delas, mas eu lembro, Mãezinha.

Lá na Escola, a professora disse que há uma lei para todas as crianças no Brasil, mas eu queria que houvesse uma lei que não deixasse nenhuma criança desaparecer.

Por isso, Mãe, eu venho pedir pelas crianças desaparecidas.

Lembre delas, Mãe...que elas voltem para casa hoje.

Amém.

domingo, 9 de outubro de 2011

Fracassar no terceiro setor é ignorar as estratégias de gestão

O terceiro setor é uma expressão de sucesso, não obstante as exceções que geram desconfianças, sob o pretexto de que tudo é ineficiente e não merece crédito.

O insucesso existe nesse segmento. Não dá para negar esse fato, mas explicar o fracasso exige contemplar o passado, este mestre que merece ser apreciado.

É bom falar do sucesso, mas gostaria de repercutir nossas impressões acerca do seu antônimo.

Ao longo de alguns anos, deparei-me com grandes evidências de insucesso e derrocadas institucionais em entidades do terceiro setor. Como explicar o fenômeno do desacerto contumaz? A resposta, apesar de não ser fácil, exige enfrentamento, também a partir da experiência empírica.

As entidades do terceiro setor (associações, fundações ou organizações religiosas) nascem a partir de um ideal fundador.

O que define a razão de ser e de existir é o impulso realizador dos seus instituidores. São eles que formatam sua visão, missão e valores, ainda que de maneira intuitiva e não formal.

Nesse primeiro estágio, o entusiasmo e a crença nos propósitos são fatores de alavancagem. Sem este elã, nada fluiria.Contudo, no afã de fazer sempre mais e melhor, as ações se agigantam e a necessidade de uma ordem instituída se apresenta. O propósito que se pretende realizar esbarra em determinadas exigências, que deveriam, em maior ou menor monta, ser consideradas desde o momento inicial.

O fato é que, no Brasil, as ações desencadeadas no terceiro setor exigem, em maior ou menor grau, a adequação às normas pertinentes a esta categoria.

As titulações próprias à espécie (“utilidade pública”, “certificação como entidade beneficente de assistência social”, “organização social”, “organização da sociedade civil de interesse público”) exigem observância de requisitos, caros e inafastáveis a entidade.

A nosso ver, a raiz de quase todos os problemas organizacionais deriva, muitas vezes, da inobservância dos mais comezinhos princípios de gestão. 

Pretender realizar logo, sem planejar a partir dos parâmetros pré-definidos é uma infeliz opção do gestor. Embora o pragmatismo seja entusiasmante, tem se mostrado péssimo no transcorrer do tempo.
Planejar é o verbo-base.

A partir dele desdobram-se a estratégia (visão, missão, valores etc), sendo o start institucional definido a partir de um objetivo acertado. Sem foco, nada de sólido pode ser estruturado. O alicerce construído a partir de um planejamento sério levará, sem dúvida: 
a) a identificar o nicho de atuação; 
b) executar as ações; 
c) aferir os resultados; 
d) organizar planejamento financeiro e uma perfeita estrutura contábil; d) investir em pessoas e tecnologias; 
e) atuar em conformidade às exigências da legislação; 
f) atração de recursos humanos e financeiros; 
g) medir desempenho, conforme indicadores;
h) ampliar os benefícios e os beneficiados; 
i) estruturas ações de marketing; 
l) implementar visão de futuro, dentre outros.

Ora, há quem se mostre avesso a tais propostas, sob os mais insossos argumentos, sem enxergar o naufrágio iminente a quem conduz a missão na qual se encontra inserido. O fato é que o custo da ineficiência gera o descrédito daqueles que poderiam muito contribuir, limita o campo de ação, compromete negativamente o futuro institucional e atrai problemas de ordem legal.
Há muitas evidências do que ora se argumenta. 

A propósito, veja-se uma série de julgamentos que tratam dos enfrentamentos jurídicos dos erros na gestão de entidades sem fins lucrativos, a exemplo de questionamento de contas efetuadas na gestão do presidente, tesoureiro e mandatário de pessoa jurídica (TJSP; APL 9088822-70.2004.8.26.0000; Ac. 5409809; Palestina; Sétima Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Miguel Brandi; Julg. 14/09/2011; DJESP 06/10/2011). Noutro episódio, digno de nota, determinada associação sucumbiu em processo trabalhista, com reflexos (questionáveis, é verdade), sobre sua gestão: 

“DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. O §1º do art. 2º da CLT equipara ao empregador as instituições sem fins lucrativos que admitem empregados, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, portanto a ausência de intenção de intenção em dividir o resultado não tem o condão de transferir para o obreiro o risco do empreendimento. A responsabilidade pela gestão de uma associação é de quem a administra e o fato de não buscar o lucro não pode servir de subterfúgio para proteger os bens particulares dos seus administradores, ainda que estes não recebam remuneração. Afinal, não é a vantagem percebida pelo administrador ou o escopo do lucro que autoriza a intromissão no seu patrimônio pessoal, mas o fato de a instituição administrada estar insolvente e haver a necessidade de satisfação do crédito trabalhista, de natureza alimentar. Inteligência do art. 28 do CDC. (TRT 17ª R.; AP 201200-45.2003.5.17.0005; Relª Desª Carmen Vilma Garisto; DOES 22/06/2011; Pág. 98)

Lamentamos que, em algum momento da jornada, entidades se percam e seus administradores hesitem, numa prejudicial inércia aos beneficiários das ações para as quais foram constituídas: cumprir seus objetivos, colaborado com a sociedade e o Estado. Em suma: a gestão das pessoas jurídicas sem fins lucrativos deve ser modelar, inspiradora, motivadora, augusta e destacada.  O assunto não passa despercebido: Gilberto Dimenstein noticia caça executivos de alto nível: "Enquanto as novas entidades do setor já nascem com uma visão estratégica mais apurada, as mais antigas correm atrás da renovação de sua equipe, mostrando que o tempo em que bastava vestir a camisa já passou" - assevera.

Portanto, sugerimos que os gestores utilizem ferramentas de gestão; organizem a atuação de profissionais que possam assessorá-los e, por fundamento de tudo, considerem a qualidade a referência de todo o seu proceder. O que você pensa sobre isso?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comunicar e ser autêntico

Li hoje no Valor Econômico uma matéria acerca da reinvenção do The New York Times, escrita por Matias M Molina ('The New York Times', a reinvenção de cada dia. Matias M. Molina. São Paulo, 04.10.2011) Dentre interessantes pontos de análise, ao tratar sobre o uso das redes sociais, a preocupação daquele Jornal poderia ser resumida no seguinte trecho: “Se excessivamente coloquial, perde autoridade; se demasiado formal, não conecta com o público da rede”.
O foco de tudo é comunicação. Jesus, Buda, Alexandre o Grande, a criança em seus primeiros balbucios, você e eu...a comunicação é um elemento comum a todos.

Esse imperativo provoca outro desdobramentos e, na net, penso que seja a assertividade o maior desafio: o que dizer, como dizer, quando dizer e por que dizer, pois a velocidade de tudo, já me dá a impressão de que não há nada de novo debaixo do céu.

A novidade, assim, não é mais inteirar-se da “novidade nova”, mas ser original, para ser inteiro e autêntico.A autenticidade é, inegavelmente, um derivativo da educação, mas quem educa é também original ou um replicante? O que você acha?