segunda-feira, 3 de maio de 2010

Educação, formação permanente e auto-disciplina

Amigos,
é lugar-comum a constatação de que a deficiência histórica na educação do Brasil ainda está distante de ser transposta.

Se pudermos rever o discurso de qualquer Ministro da Educação, em décadas passadas, ocultando de propósito a fonte, é possível que pensemos que se trata de uma manifestação contemporânea, que gravite sempre em torno de pontos comuns: infra-estrutura, acesso, melhoria de qualidade, valorização de professores, erradicação do analfabetismo e outros óbices

Contudo, em que pese a existência de mazelas no campo da educação, ando pensando no quanto nós mesmos contribuímos, no nosso self-sistem para essa realidade. Noutras palavras: o acesso ao conhecimento, especialmente para todas as classes sociais, é  cada vez mais democrático, disponível. e acessível. Os livros estão mais atrativos. O direcionamento da pesquisa, do estudo e da reflexão me parecem mais fáceis hoje do que há poucos anos. Internet e a mídia contribuem para isso. As bienais  do livro são sempre um sucesso de público e de crítica.O que será que falta para que o brasileiro esteja  à altura do desafio de fazer parte de uma das nações mais prósperas do século XXI, detentora da Amazônia, do pré-sal, plena de fontes alternativas de energia limpa, uniformidade linguística e em que se faz necessário um segundo idioma para aproximações internacionais e novos negócios? Acho que nos falta iniciativa firme, vontade sólida e propósito inquebrantável, crentes de que o sucesso depende do que fazemos hoje e do que projetamos para o amanhã. 

A propósito, lembro-me de uma frase lapidar, de Monteiro Lobato, escrita na contra-capa de um dos meus cadernos na infância:
"Um país se faz com homens e livros."
Preocupa-me o fato de conhecer diversas pessoas que não fazem qualquer referência à leitura atual, seja romance, seja livro de sua área de atuação profissional, ainda que provocada a externar sua opinião.

Parece-me que stress, mídia, internet, família e outros atrativos desviam o foco do que deve ser fundamental para estar vivo e com qualidade de vida (profissional) hoje: conhecimento, discernimento, pensamento crítico.

O fato é que o conhecimento está mais disponível, não raro ao alcance da mão (literalmente),   independentemente do acesso a determinados cursos (alguns de qualidade duvidosa).

Cultura se percebe pelo linguajar, pela expressão escrita, pela interação e pelas intervenções fundamentadas dos nossos interlocutores. Como admiro certas pessoas do meu círculo de amizade, de todas as idades, hábeis na argumentação, expeditas no agir a partir de princípios, com raciocínios concatenados e gosto pelo saber!

O que não dá para aceitar é que a desculpa para sair da inércia da falta de leitura diária seja a mesma usada para  protelar a dieta ou a inércia da atividade física cotidiana: falta de tempo. Para alguns, talvez possa ser verdade, mas será que não falta propósito, compromisso, perseverança, boa-vontade e disciplina? O que você pensa?


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