terça-feira, 27 de julho de 2010

Indignação e compaixão

Na manhã do dia 26 de julho, ao ligar a televisão – verdadeira janela para o mundo – deparei-me com a notícia e as imagens do assassinato do adolescente Bruce Cristian de Oliveira Sousa, em Fortaleza. À luz do dia, um policial militar atirara na cabeça de Bruce, que estivera momentos antes auxiliando seu pai, motorista do veículo, no ofício de reparos de aparelhos de ar condicionado. As apurações e depoimentos indicam que o condutor não percebera um suposto aviso do policial para que estacionasse o veículo.

A indignação tomou conta de mim. O pai debruçado sobre o cadáver ensanguentado do filho inocente, motocicleta tombada, ferramentas de trabalho espalhadas. No asfalto quente, o genitor gritava de desespero, atordoado, sofrido, indignado, revoltado... era uma cena chocante o sangue do adolescente sobre a camisa rubra. Muita dor a daquele homem e que agora era minha também. Foi um choque. Chorei compulsivamente, lembrando-me que também eu sou pai.

A "polícia cidadã" (slogan conhecido), da "meritíssima sociedade" (outra expressão de efeito) da "Fortaleza Bela" hoje me dá medo, ao ver tanto despreparo profissional.

A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas. Ás polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. Neste contexto, tudo se transforma em letra morta e sem credibilidade, especialmente para os que foram submetidos a tragédias como estas, já ocorridas em nossa capital.

Enchi-me de compaixão pela família da vítima. No meu íntimo, sei que dificilmente as coisas mudarão, por que a causa de tudo não é enfrentada. Virão novas frases de efeito e palavras recheadas de atitudes vazias.

Ainda assim, preencho-me de esperança!!!

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