quarta-feira, 19 de outubro de 2011

De grão em grão a galinha enche o papo

Há sempre uma entonação peculiar, quando se diz que alguém vive no seu mundinho.
Intui-se um traço distintivo nos fonemas dessa palavra e que somente o contexto pode capturar. O fato é que não é fácil conseguir manter-se no seu próprio mundo, num hiato existencial entre o ser e o devir.
Do mesmo modo, na interconexão de relacionamentos  necessários para  alavancar projetos educacionais, culturais, sociais,  artísticos ou de pura benemerência, o isolamento é a pior opção.
O bem que se faz é um poliedro de nuances. Chamemo-lo de “responsabilidade social”.
Para o mundo empresarial, num contexto não exclusivo da governança corporativa, a responsabilidade social é o tom que agrega, estimula e seduz, não apenas o seu público interno e externo,  como também os seus investidores.  O lucro é, e sempre será, um elevado imperativo que, ao ser apresentado aos acionistas, emerge num oceano de ações agregadoras, mensuráveis nos diversos indicadores de resultados: rentabilidade, visibilidade, agregação de marca, fidelização de clientes, elemento adicional de opção para os clientes. Benefícios de natureza tributária ou que possam ser integrados em ações de marketing são identificáveis  por quem vislumbra para além da discrição exterior das empresas.

Em nosso país, peculiaridades tributárias existentes, embora em grande parte desconhecidas em sua extensão, podem favorecer para que determinadas empresas movimentem suas mãos de dentro dos bolsos.
Contudo, não é raro que muitas entidades não alcancem ou não se posicionem como destinatárias naturais  de determinados benefícios que podem verter do mundo empresarial e ser empregados em favor de seu público-alvo.
Em ações sociais, há sempre quem queira ajudar, embora não saiba como fazê-lo.  Como aglutinar os objetivos empresariais com o ímpeto de exercer a responsabilidade social, se há tantas fundações e associações ávidas por recursos?
Como o objetivo deste texto não é o de ser técnico, mas reflexivo, gostaria de fazer uma referência a uma matéria que pude ler na revista de bordo da TAM (outubro/2011), no dia de hoje. Nessa matéria, é destacada a parceria firmada pela companhia aérea com a Fundação Xuxa Meneghel, que cuida há cerca de 15 anos de cerca de 1000 crianças e adolescentes na região de Guaratiba (RJ). Ao custo de R$ 1.500.000,00 por ano. “No começo, eu tinha medo do que as pessoas iam pensar ao me ver divulgando a fundação. Achava que diriam: ´Está fazendo isso para aparecer.” Com o tempo, percebi que era bobeira minha. Hoje, com a ajuda dos parceiros, podemos fazer muito mais”, dizia XUXA, ao referir-se ao projeto por ela instituído.
“No começo, eu tinha medo do que as pessoas iam pensar ao me ver divulgando a fundação. Achava que diriam: ´Está fazendo isso para aparecer.” Com o tempo, percebi que era bobeira minha. Hoje, com a ajuda dos parceiros, podemos fazer muito mais.”

Portanto, parceria é a palavra de ordem, mas que deve passar pelo espectro da eficiência, qualidade de gestão, definição de projeto e equipes de alto desempenho. Relacionamento institucional contínuo sempre será o caminho natural para a ir até a origem dos recursos financeiros.  

Para instituições organizadas sempre haverá de onde buscar recursos. Afinal, de grão em grão, a galinha enche o papo.

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