quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bullying Escolar no Brasil

A pesquisa “Bullying Escolar no Brasil” , realizada em 2009 em todas as regiões do Brasil pela Plan Brasil (organização não-governamental de origem inglesa, ativa há mais de 70 anos, voltada para a defesa dos direitos da infância), que trabalha pela proteção contra a violência e abusos de e todo tipo trouxe informações relevantes para o tema.
O ineditismo da pesquisa merece ser apreciado pelos educadores, pais e interessados no tema da incidência de maus tratos e de bullying no ambiente escolar. A pesquisa abarcou as causas de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; os modos de manifestação de maus tratos e de bullying no ambiente escolar; o perfil dos agressores e das vítimas de maus tratos e de bullying no ambiente escolar e as estratégias de combate aos maus tratos e ao bullying no ambiente escolar.
Participam da pesquisa 5.168 alunos.

“Os dados revelaram que, quanto mais frequentes os atos repetitivos de maus tratos contra um determinado aluno, mais longo é o período de duração da manifestação dessa violência. Essa constatação demonstra que a repetição das ações de bullying fortalece a iniciativa dos agressores e reduz as possibilidades de defesa das vítimas, indicando ser essencial uma ágil identificação dessas ações e imediata reação de repúdio e contenção” – afirma a pesquisa.


O que mais chama a atenção é que a violência tem se tornado freqüente no ambiente escolar. Alguns dados se destacam:

a) 70% da amostra de estudantes responderam ter presenciado cenas de
agressões entre colegas, enquanto 30% deles declararam ter vivenciado ao menos uma situação violenta no mesmo período.
b) ações de maus tratos entre colegas – como base frequência superior a três vezes durante o ano letivo pesquisado -, foi praticado e sofrido por 10% do total de alunos pesquisados;
c) o bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País e
que a incidência maior está entre os adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade e alocados na sexta série do ensino fundamental.
d) quanto aos motivos que os levam a sofrer ou a praticar agressões, os participantes tiveram dificuldade para indicar. No entanto, tendem a considerar que os agressores buscam obter popularidade junto aos colegas, que necessitam ser aceitos pelo grupo de referência e que se sentiram poderosos em relação aos demais, tendo esse “status” reconhecido na medida em que seus atos são observados e, de certa forma, consentidos pela omissão e falta de reação dos atores envolvidos. Já as vitimas são sempre descritas pelos
respondentes como pessoas que apresentam alguma diferença em relação aos demais colegas, como um traço físico marcante, algum tipo de necessidade especial, o uso de vestimentas consideradas diferentes, a posse de objetos ou o consumo de bens indicativos de status socioeconômico superior ao dos demais alunos. Elas são vistas pelo conjunto de respondentes como
pessoas tímidas, inseguras e passivas, o que faz com que os agressores as considerem merecedoras das agressões dado seu comportamento frágil e inibido.
e) os alunos não conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agressões verbais relativamente inócuas e maus tratos violentos.


Deve ser levado em consideração que este tipo de problema e sua solução fazem parte da missão das instituições de ensino e das respectivas famílias dos Estudantes.

Os tradicionais procedimentos para tratar do assunto, tais como a suspensão (culpabilização do aluno) e a conversa com pais (culpabilização da família), devem ser reforçados com a promoção de uma cultura de paz, de diálogo crescente, de


A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, conforme estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Efetivamente, o estabelecimento de normas claras, objetivas, discutidas no âmbito multidisciplinar, reuniões, atividades, encontros podem contribuir para a tomada de consciência dos efeitos nefastos que o desrespeito da dignidade da pessoa humana podem acarretar ao aprendizados de agressor e vítima, ao processo de formação e à própria sociedade.

Portanto, cabe aos responsáveis diretos pela educação (Estado, família, sociedade e aos alunos) discutir, com clareza, os aspectos do respeito, da tolerância, dos direitos, dos deveres e, sobretudo, da dignidade da pessoa humana.

Afinal de contas, a LDB preconiza que a educação é dever da família e do Estado, deve ser inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, com o objetivo do pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Para maior aprofundamento, acesse http://www.aprendersemmedo.org.br

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